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segunda-feira, 11 de novembro de 2013
É COMO SER OBRIGADO A PAGAR A BALA QUE NOS ASSASSINA
Depois de cinco anos lectivos numa universidade e de uma profissionalização em serviço a lei assegurou-me que poderia ser professora. Pelo meio inúmeras formações feitas no meu tempo livre e, muitas vezes, pagas do meu bolso. Agora, desci à categoria de candidata a professora e, 13 anos depois de achar que o era, dizem-me que tenho de fazer uma prova...
Não tenho problema nenhum em fazer qualquer prova nem em dar provas dos meus conhecimentos. Pergunto-me só como é que nessa prova vão caber os “meus” treze anos? Onde vão caber a quantidade de disciplinas e de níveis diferentes (do 5º ao 12º) que preparei; as planificações que fiz; as adequações curriculares individuais que pensei; os estágios que acompanhei; as exposições que organizei; os quadros que, pelas escolas, pendurei; os raspanetes que preguei; os elogios que fiz; os resultados que obtive; as reuniões que tive com os pais; os jornais que dinamizei, a legislação que digeri; os clubes de artes que lancei; as horas, fora de horas, que passei nas escolas com colegas a pensar como ajudar este ou aquele aluno; os casacos que compus; os óculos que limpei; os lápis que afiei; os que do meu bolso ofereci; os alunos que marquei e que ainda hoje me ligam; os alunos com Necessidades Educativas que apoiei; as visitas de estudo a que os levei; os relatórios para a CPCJ que fiz; o orgulho com que fui madrinha de curso; os sorrisos que provoquei; os saltos ao elástico que dei com os mais pequenos; os cafés que tomei com os maiores; as lágrimas que limpei; as saudades com que fiquei cada vez que mudei de escola...
Prova nenhuma vai avaliar tudo isto e a menos que me digam que posso dar os 20€, (que terei de pagar para a fazer) a uma instituição escolhida por mim, não a farei.
E mesmo que a faça e mesmo que tenha 20 valores vou continuar sem lugar porque alguém (em algum sítio onde não fez prova nenhuma para lá estar) entendeu que as crianças precisam cada vez menos de algum desenvolvimento artístico, de descobrir, de aprender a “ver” o mundo de formas, espaços e movimentos que nos rodeiam, de experimentar, de imaginar, de criar; de utilizar materiais e técnicas variados, de desenvolver a sua percepção visual, a sua sensibilidade estética e a capacidade de comunicação que é o que as disciplinas que, durante 13 anos leccionei, propõem, de uma forma simples.
Não me venham cá com conversas que os professores não querem ser avaliados porque nós o somos todos os dias ou que os médicos e advogados também fazem provas porque esses as fazem ANTES de começarem a exercer e não depois de 13 anos de profissão...
Não me venham cá com histórias porque eu já as li todas há muito tempo.
Catarina Ferreira Gonçalves
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