sábado, 9 de novembro de 2013

"Estes partem, aqueles partem e todos, todos se vão ..."!


"Estes partem, aqueles partem e todos, todos se vão ..."!

Da minha aldeia de nascença, saíram esta semana, em busca de pão, rumo a outras paragens, cinco dos já tão poucos homens ainda válidos para darem vida à minha aldeia.

Morta a esperança de ainda aqui conseguirem ganhar com honra o mínimo sustento para aguentarem a parte mais generosa das suas vidas, o meu primo e os seus quatro companheiros lá foram rumo aos países do frio, deixando a terra onde amorosamente lançaram as raízes do futuro, onde criaram filhos e onde para eles sonharam a vida que tanto se esforçaram para que fosse mais feliz do que aquela que a labuta dos seus pais i/emigrantes lhes puderam dar enquanto foram meninos.

Eles foram. Para trás deixaram pais e mães, mulheres e filhos e tanto do sonho que sonharam.
Metade do coração ficou e a outra parte levaram consigo. Ambas as partes estão a sangrar.

E hoje, na Assembleia da República, um psicopata que se considera primeiro-ministro de um pais plantado de raiva, vangloriava-se do desemprego que desceu zero vírgula não sei quê, ufanando com a torpe coragem do bando por si capitaneado que expulsou da minha aldeia o que a minha aldeia ainda tinha de válido para lhe dar vida.



Clemente Alves

Sem comentários:

Publicar um comentário